Resumo

Este texto apresenta análises iniciais das fontes jornalísticas de um projeto de pesquisa que visa examinar a trajetória de um destacado lutador de vale-tudo nas páginas dos jornais do Rio de Janeiro durante a década de 1950. O vale-tudo, assim como o futebol, era um esporte frequentemente coberto pelos cadernos de esportes de alguns jornais daquela época. Segundo Couto (2016), o interesse jornalístico pelas práticas esportivas pode ser atribuído não somente à disseminação dessas atividades por várias regiões da capital e do país, mas também ao potencial dessas práticas de "capturar as identidades culturais, sensibilidades e emoções introduzidas pela modernidade no ambiente urbano" (COUTO, 2016, p. 2). Por volta de 1947/1948, Waldemar Santana, um jovem negro do Nordeste, migrou da Bahia para o Rio de Janeiro com o objetivo de se aproximar e treinar com os Gracie, buscando aprimorar suas habilidades como lutador. Inicialmente, Waldemar começou trabalhando como roupeiro, depois foi contratado como faxineiro na Academia Gracie. Não demorou muito para que começasse a treinar, tornando-se um atleta de elite em jiu-jitsu. Em 1955, um desentendimento entre Waldemar Santana e seu mestre Hélio Gracie – cujas razões ainda precisam de exploração mais refinada – levou a um desafio de combate amplamente noticiado pelos jornais da época: "Não aceito que Hélio, ou qualquer outro, difame meu nome, falando de mim por aí [...]. Isso tudo é mentira e estou disposto a provar enfrentando o próprio Hélio Gracie, se ele tiver coragem para me enfrentar." O embate, digno de um roteiro de cinema, envolvendo o desafio do aprendiz ao mestre, culminou na surpreendente vitória de Waldemar Santana sobre Hélio Gracie. Este episódio não apenas capturou a atenção da mídia, mas também inspirou o renomado escritor Nelson Rodrigues a redigir uma de suas primeiras crônicas esportivas intitulada "O preto que tinha a alma preta". Inicialmente, tomamos como referência o período que compreende os fatos anteriores ao desafio proposto por Waldemar Santana a Hélio Gracie. A partir daí, realizamos o levantamento de fontes, traçando um panorama geral da trajetória de Waldemar Santana com base nas narrativas produzidas pelo noticiário esportivo encontradas nos arquivos do período de 1950 a 1970. Isso incluiu jornais como Última Hora, Revista O Cruzeiro, Tribuna da Imprensa, Jornal O Globo, Diário Carioca e Correio da Manhã.

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