Desafios e insurgências epistêmicas: “Por um currículo antirracista e étnico-racial no contexto da Educação Física brasileira"
Por Ivanilde (IVY) Guedes de Mattos (Autor).
Resumo
Há algumas décadas, o campo educacional brasileiro vem sendo tensionado pela necessidade de problematizar questões historicamente marginalizadas nos currículos escolares, especialmente aquelas relacionadas aos marcadores sociais da diferença, como raça, gênero, sexualidade, classe e territorialidade. No contexto contemporâneo, marcado pela ampliação dos debates acerca da justiça social, da equidade e dos direitos humanos, a educação passa a ser compreendida não apenas como espaço de transmissão de conteúdos, mas como território de disputa simbólica, política e epistemológica, no qual diferentes projetos de sociedade, cultura e humanidade são permanentemente confrontados. Nesse cenário, a construção de uma educação antirracista emerge como imperativo ético, político e pedagógico, exigindo a revisão crítica de concepções historicamente sedimentadas que reproduziram silenciamentos, hierarquizações raciais e invisibilizações dos saberes produzidos por populações negras e povos originários. Nesse debate, torna-se igualmente indispensável problematizar os processos históricos de racialização e desumanização impostos aos povos indígenas, frequentemente representados sob perspectivas coloniais, estereotipadas e deficitárias. Essas representações reverberam persistentemente no campo educacional, seja pela reprodução de práticas pedagógicas preconceituosas, pela permanência de currículos eurocentrados ou pela utilização de terminologias inadequadas para se referir aos povos originários e descendentes de africanos no Brasil.
Referências
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