Resumo

Os estudantes do ensino superior são vulneráveis a desenvolver transtornos mentais e comportamentais pelo efeito cumulativo de situações estressoras desde a inserção universitária, potencializada por fatores multidimensionais e mal adaptação ao ambiente. Objetivo: Verificar a associação das características pessoais, autoeficácia percebida e estratégia de enfrentamento de problemas com os sintomas sugestivos de depressão de estudantes do ensino superior. Metodologia: Trata-se de um inquérito epidemiológico realizado com os estudantes da Universidade do Estado de Mato Grosso. Participaram da pesquisa 326 estudantes, predominantemente do sexo feminino, não brancos, solteiros/separados e praticavam alguma atividade física. Os dados foram coletados por meio de questionário autoaplicável online. Foram utilizados a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão, Inventário de Estratégias de Coping (Aproximação e Evitação) e Escala de Autoeficácia Percebida. Coping e Autoeficácia foram codificadas em “Alto” e “Baixo” e “Melhor” e “Menor”, respectivamente (percentil 50). Para associação, utilizou-se a Multiple Correspondence Analysis no Programa R 4.1.2., sendo representada pelo mapa perceptual (5%). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 1.851.630). Resultados: Os estudantes que apresentaram sintomas prováveis de depressão (20,6%), eram do sexo feminino, brancos, idade entre 24-29 anos, sem graduação prévia, sem vínculo empregatício, casado ou em união estável, e com filhos. Também apresentaram sintomas prováveis de ansiedade, baixa percepção de iniciativa e utilizaram estratégias de enfrentamento mal adaptativas. Os estudantes com idade ≥30 anos e com melhores percepções de esforço e persistência, estavam associados aos sintomas improváveis. Conclusão: As características multidimensionais (pessoa e processo) e elementos contextuais do estudante, são experienciadas ao longo do percurso. Os aspectos internos e externos podem influenciar na saúde mental dos jovens. Desenvolver e implementar políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental e ações preventivas, são imprescindíveis para qualidade de vida e bem-estar dos jovens.