O corpo feminino tecido pela imprensa entre os séculos XIX e XX
Por Dayane Ramos Dórea (Autor), Viviane Rocha Viana (Autor), Aline Gomes Machado (Autor).
Resumo
O texto em tela, recorte da pesquisa de doutorado, objetiva trazer um breve apontamento de como a imprensa feminina, para além de conceder lazer e informações, construiu o corpo feminino no cenário social, através da representação da mulher e da sua participação na vida citadina. As revistas femininas brasileiras, intimamente relacionadas ao contexto histórico de cada época, numa união entre moda e literatura, e com um toque de noticiário cultural, tentaram construir um suposto novo horizonte à mulher na sociedade, presente nos primeiros jornais femininos do Brasil do século XIX: “O Espelho Diamantino (1827)” e “O Espelho das Brazileiras (1983)”. Esse século representa um período importante à imprensa feminina brasileira, principalmente pela luta e conquista dos direitos à educação, à profissão e ao voto, elementos importantes da história da mulher na sociedade que constituíram a principal razão para que se criassem os periódicos de mulheres, a exemplo de “A Família” (1890). Apesar da imprensa feminina do século XIX caminhar por dois rumos antagônicos – um tradicional, que era contra a liberdade de influenciar a mulher fora do lar; e outro progressista, que defendia o direito da mulher ao protagonismo social – ela também representou as possibilidades de transformações inovadoras à época ao permitir um diálogo para/com as mulheres desse século, fomentando-lhes uma consciência feminina crítica que, com o passar do tempo, foi preponderante à sua entrada na esfera das reivindicações públicas, sociais e políticas.