O jornalista-empresário Mário Nobre e a circulação artística e esportiva entre Brasil e o Império português nas décadas de 1950 e 1960
Por Rael Fiszon Eugenio dos Santos (Autor).
Resumo
Esta comunicação se insere no contexto da minha pesquisa de doutorado, sobre as excursões de times de futebol do Brasil para Angola e Moçambique, entre os anos de 1959 e 1973. Já no início da pesquisa, analisando as notícias em jornais brasileiros sobre as excursões internacionais de times de futebol do Brasil, ficou evidente a centralidade dos empresários nos contatos que possibilitaram as excursões. Os títulos da Copa do Mundo de 1958 e 1962 fez do futebol brasileiro a grande referência mundial do futebol, já então o esporte mais popular do mundo. A demanda por jogos de times de futebol do Brasil crescia em todo mundo e os empresários assumiram, na maior parte dos casos, o papel de intermediários dessas negociações. São eles uma das principais personagens do tempo das excursões, como já apontaram Damo e Ferreira (2012). Rocha (2020) também frisa a importância dos empresários e o papel das excursões na mundialização/mercantilização do futebol, afirmando, ainda, que as redes formadas pelos empresários eram estabelecidas, em grande medida, por contatos pessoais. Mário Nobre, Hélio Pinto, Fernando Cardoso e Elias Zacour são os empresários envolvidos com as cinco excursões de times brasileiros que passaram por Angola e Moçambique. Pretendo apresentar, no IV Encontro Nacional de Historiadores do Esporte, um desses empresários, o jornalista-empresário Mário Nobre Cortês da Costa, conhecido como Mário Nobre, intermediário das excursões da Portuguesa Santista (1959) e Ferroviária de Araraquara (1960). As informações encontradas sobre Mário Nobre dão conta de uma personagem que tem sua trajetória profissional ligada à indústria cultural, a partir de duas atividades entrelaçadas: a de empresário e a de jornalista. Português, nascido em Lisboa em 1922, Nobre exerceu sua profissão sobretudo com foco no espaço luso-brasileiro, nas décadas de 1950 e 1960, intermediando idas e vindas, especialmente, de artistas do teatro e da música e times, jogadores e técnicos de futebol, entre Brasil e o império português. Complementando sua atuação como empresário do entretenimento, Nobre escrevia para jornais do Brasil e Portugal, onde noticiava e analisava fatos relacionados sobretudo ao futebol e à música. Atuou, sobretudo, levando notícias do Brasil para Portugal e de Portugal para o Brasil. Era, por exemplo, correspondente do jornal A Gazeta Esportiva (SP), em Lisboa, e do A Bola, em São Paulo, entre a década de 1950 e 1960.