“Para aprender-se fácil e rapidamente a montar em bicicleta é preciso, antes de tudo, que o discípulo não tenha medo de cair”: a imprensa e popularização do ciclismo em Porto Alegre no século XIX
Por Cleber Eduardo Karls (Autor).
Resumo
A bicicleta no século XIX foi uma das marcas do desenvolvimento e da prosperidade tecnológica do momento. Ferramenta do homem para superar os seus limites, a máquina substituíra o animal, e este já não era mais o responsável pelo desempenho. A performance estaria baseada tanto na capacidade de engenhar, quanto na habilidade técnica e física do ser humano. Novos materiais, medidas, conceitos, velocidade e conhecimentos fizeram do velocípede um símbolo desse período. Além disso, o palco dessa modalidade não poderia deixar de ser a cidade, local privilegiado, primórdio de todas estas mudanças. Os primeiros modelos de bicicletas chegaram ao Brasil no final da década de 1860, mas passaram a ser importados em maior número, nos anos 1890, momento em que, também, as primeiras corridas começaram a ser organizadas e os nascentes clubes e associações de ciclismo foram constituídos. O Rio Grande do Sul e, especialmente, sua capital Porto Alegre estava inserida nesse contexto modernizador. Em pouco tempo, a bicicleta deixou de ser novidade. Tomaria as ruas da capital sulina como já havia ocupado as de Paris, se tornando um dos meios de transportes mais populares da História. Nesse sentido, os clubes dedicados às corridas de bicicleta foram ferramentas importantes no espraiamento do gosto pela moderna máquina, mas não os únicos instrumentos de popularização da sua prática. Em Porto Alegre, alguns entusiastas extrapolavam os velódromos e, também, contribuíam para a expansão do ciclismo, realizando uma função de divulgação e instrução sobre o “andar de bicicleta”. O sucesso das modernas máquinas era tamanho, que tutoriais eram disponibilizados nos jornais, com o intuito de apresentar dicas e desenvolver maiores habilidades nos amantes pelo esporte. Sem dúvida, também era uma forma de expandir o conhecimento acerca das bicicletas, numa tentativa de popularização daquele tão “útil e agradável” esporte. Nesse sentido, buscamos através dessa apresentação, investigar a função dos periódicos em circulação na capital sul-rio-grandense no final do século XIX para o desenvolvimento e popularização do ciclismo enquanto prática esportiva e corporal.