A História de Clubes do Futebol Brasileiro na Literatura de Cordel: entre Folhetos Tradicionais e Livros Editados
Por Elcio Loureiro Cornelsen (Autor).
Resumo
Esta proposta deriva de resultados parciais de pesquisa desenvolvida atualmente com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), intitulada Literatura de Cordel e Futebol: encontro de duas artes populares. O levantamento realizado em diversos acervos físicos e digitais, com destaque para a Cordelteca do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), demonstra que o futebol passou a despertar o interesse de poetas populares a partir do final da década de 1950. Essa procura se deu muito por conta da conquista, pela Seleção Brasileira, do primeiro mundial em 1958, na Suécia. Nas décadas subsequentes, o número de folhetos de cordel que contemplam o tema do futebol aumentou significativamente, impulsionado pela conquista do tricampeonato mundial em 1970, no México. Com a migração nordestina rumo ao Sudeste, o cordel tornou-se um fenômeno difundido também em outros centros urbanos, de modo que, se nos anos 1970 havia um predomínio de folhetos sobre clubes do Nordeste, este se ampliou também em relação a clubes, sobretudo do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais. Dentre esses folhetos, destacam-se aqueles que se referem à própria história dos clubes. Além de apresentarem traços característicos em sua composição – estrofação em sextilhas ou septilhas; métrica em redondilha maior (com sete sílabas poéticas) e rimas nos versos pares –, em geral, os folhetos apresentam em suas capas xilogravuras ou ilustrações de outra natureza e possuem número de páginas determinado pela dobradura do papel em quarto, ou seja, 08, 16 ou 32 páginas, sendo o primeiro o mais comum para se tratar de temas de “circunstancia”, como o futebol.