Entre cóppelia, colantis coloridos de helanca e penteados em tranças e fitas: os primeiros momentos da ginástica em Belém no caminho do esporte
Resumo
Este estudo procura reconstituir os eventos que moldaram os primórdios de desenvolvimento da Ginástica Rítmica Desportiva (GRD) em Belém/PA. Com base na história oral das ex-ginastas que vivenciaram esse passado e em documentos escritos e iconográficos, tem-se o objetivo de sistematizar a história da GRD em Belém/PA, nas décadas de 1970 a 1990, destacando os eventos significativos e as pessoas envolvidas. Este trabalho visa não apenas preservar a memória dessas experiências, mas também fornecer uma base para estudos futuros sobre a GRD na região amazônica. Como resultado, identificou-se um período crucial na década de 1970, quando os primeiros eventos esportivos relacionados à modalidade começaram a surgir. O envolvimento de Daisy Barros e a realização do “Curso de Atualização em Ginástica Rítmica Desportiva” no ano de 1977, pelo Ministério da Educação e Cultura, foram marcos importantes. O objetivo desse curso foi formar multiplicadores/professores e estes, por sua vez, deveriam contagiar as estudantes nas diversas escolas de Belém; então, era requerido aos participantes aprender e repassar. Através desse curso, apresentava-se ao Pará, especialmente à sua capital Belém, a oportunidade de manusear aparelhos ainda não experenciados, a exemplo de uma série obrigatória com o material maças. A partir desse curso, a GRD começou a ganhar espaço nas escolas, impulsionada pela Política Nacional de Educação Física e Desportos e pelo desejo de elevar o nível desportivo no país. Na capital do Pará, a presença da GRD na vida de professores e alunos foi de tal forma intensa e disseminada em várias escolas que, em 1978, foi criado, bem nos moldes de Daisy Barros, o 1º Campeonato Inter-Colegial de GRD. Entre cóppelia, colantts coloridos de helanca e penteados variados em tranças e fitas, realizou-se esse campeonato marcado por mudanças no conhecimento.